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A teoria das janelas quebradas ou "broken windows theory"

 

A teoria das janelas quebradas ou "broken windows theory" é um modelo norte-americano de política de segurança pública no enfrentamento e combate ao crime, tendo como visão fundamental a desordem como fator de elevação dos índices da criminalidade. Nesse sentido, apregoa tal teoria que, se não forem reprimidos, os pequenos delitos ou contravenções conduzem, inevitavelmente, a condutas criminosas mais graves, em vista do descaso estatal em punir os responsáveis pelos crimes menos graves. Torna-se necessária, então, a efetiva atuação estatal no combate à criminalidade, seja ela a microcriminalidade ou a macrocriminalidade

 

Por: Luis Pellegrini

Há alguns anos, a Universidade de Stanford (EUA), realizou uma interessante experiência de psicologia social. Deixou dois carros idênticos, da mesma marca, modelo e cor, abandonados na rua. Um no Bronx, zona pobre e conflituosa de Nova York e o outro em Palo Alto, zona rica e tranquila da Califórnia. Dois carros idênticos abandonados, dois bairros com populações muito diferentes e uma equipe de especialistas em psicologia social estudando as condutas das pessoas em cada local.

Resultado: o carro abandonado no Bronx começou a ser vandalizado em poucas horas. As rodas foram roubadas, depois o motor, os espelhos, o rádio, etc. Levaram tudo o que fosse aproveitável e aquilo que não puderam levar, destruíram. Contrariamente, o carro abandonado em Palo Alto manteve-se intacto.

 

A experiência não terminou aí. Quando o carro abandonado no Bronx já estava desfeito e o de Palo Alto estava há uma semana impecável, os pesquisadores quebraram um vidro do automóvel de Palo Alto. Resultado: logo a seguir foi desencadeado o mesmo processo ocorrido no Bronx. Roubo, violência e vandalismo reduziram o veículo à mesma situação daquele deixado no bairro pobre. Por que o vidro quebrado na viatura abandonada num bairro supostamente seguro foi capaz de desencadear todo um processo delituoso? Evidentemente, não foi devido à pobreza. Trata-se de algo que tem a ver com a psicologia humana e com as relações sociais.

Um vidro quebrado numa viatura abandonada transmite uma ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação. Faz quebrar os códigos de convivência, faz supor que a lei encontra-se ausente, que naquele lugar não existem normas ou regras. Um vidro quebrado induz ao "vale-tudo". Cada novo ataque depredador reafirma e multiplica essa ideia, até que a escalada de atos cada vez piores torna-se incontrolável, desembocando numa violência irracional.

Baseada nessa experiência e em outras análogas, foi desenvolvida a "Teoria das Janelas Quebradas". Sua conclusão é que o delito é maior nas zonas onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores. Se por alguma razão racha o vidro de uma janela de um edifício e ninguém o repara, muito rapidamente estarão quebrados todos os demais. Se uma comunidade exibe sinais de deterioração, e esse fato parece não importar a ninguém, isso fatalmente será fator de geração de delitos.

 

Origem da teoria

Essa teoria na verdade começou a ser desenvolvida em 1982, quando o cientista político James Q. Wilson e o psicólogo criminologista George Kelling, americanos, publicaram um estudo na revista Atlantic Monthly, estabelecendo, pela primeira vez, uma relação de causalidade entre desordem e criminalidade. Nesse estudo, utilizaram os autores da imagem das janelas quebradas para explicar como a desordem e a criminalidade poderiam, aos poucos, infiltrar-se na comunidade, causando a sua decadência e a consequente queda da qualidade de vida. O estudo realizado por esses criminologistas teve por base a experiência dos carros abandonados no Bronx e em Palo Alto.

Em suas conclusões, esses especialistas acreditam que, ampliando a análise situacional, se por exemplo uma janela de uma fábrica ou escritório fosse quebrada e não fosse, incontinenti, consertada, quem por ali passasse e se deparasse com a cena logo iria concluir que ninguém se importava com a situação e que naquela localidade não havia autoridade responsável pela manutenção da ordem.

 

Logo em seguida, as pessoas de bem deixariam aquela comunidade, relegando o bairro à mercê de gatunos e desordeiros, pois apenas pessoas desocupadas ou imprudentes se sentiriam à vontade para residir em uma rua cuja decadência se torna evidente. Pequenas desordens, portanto, levariam a grandes desordens e, posteriormente, ao crime.

Da mesma forma, concluem os defensores da teoria, quando são cometidas "pequenas faltas" (estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade, passar com o sinal vermelho) e as mesmas não são sancionadas, logo começam as faltas maiores e os delitos cada vez mais graves. Se admitirmos atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será de maior violência quando essas crianças se tornarem adultas.

A Teoria das Janelas Quebradas definiu um novo marco no estudo da criminalidade ao apontar que a relação de causalidade entre a criminalidade e outros fatores sociais, tais como a pobreza ou a "segregação racial" é menos importante do que a relação entre a desordem e a criminalidade. Não seriam somente fatores ambientais (mesológicos) ou pessoais (biológicos) que teriam influência na formação da personalidade criminosa, contrariando os estudos da criminologia clássica.

 

Landscape

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No metrô de Nova York

Há três décadas, a criminalidade em várias áreas e cidades dos EUA – com Nova York no topo da lista - atingia níveis alarmantes, preocupando a população e as autoridades americanas, principalmente os responsáveis pela segurança pública. Nesse diapasão, foi implementada uma Política Criminal de Tolerância Zero, que seguia os fundamentos da "Teoria das Janelas Quebradas".

As autoridades entendiam que, por exemplo, se os parques e outros espaços públicos deteriorados forem progressivamente abandonados pela administração pública e pela maioria dos moradores, esses mesmos espaços serão progressivamente ocupados por delinquentes.

A Teoria das Janelas Quebradas foi aplicada pela primeira vez em meados da década de 80 no metrô de Nova York, que se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade. Começou-se por combater as pequenas transgressões: lixo jogado no chão das estações, alcoolismo entre o público, evasões ao pagamento da passagem, pequenos roubos e desordens. Os resultados positivos foram rápidos e evidentes. Começando pelo pequeno conseguiu-se fazer do metrô um lugar seguro.

 

Posteriormente, em 1994, Rudolph Giuliani, prefeito de Nova York, baseado na Teoria das Janelas Quebradas e na experiência do metrô, deu impulso a uma política mais abrangente de "tolerância zero". A estratégia consistiu em criar comunidades limpas e ordenadas, não permitindo transgressões à lei e às normas de civilidade e convivência urbana. O resultado na prática foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.

 

A expressão "tolerância zero" soa, a priori, como uma espécie de solução autoritária e repressiva. Se for aplicada de modo unilateral, pode facilmente ser usada como instrumento opressor pela autoridade fascista de plantão, tal como um ditador ou uma força policial dura. Mas seus defensores afirmam que o seu conceito principal é muito mais a prevenção e a promoção de condições sociais de segurança. Não se trata de linchar o delinquente, mas sim de impedir a eclosão de processos criminais incontroláveis. O método preconiza claramente que aos abusos de autoridade da polícia e dos governantes também deve-se aplicar a tolerância zero. Ela não pode, em absoluto, restringir-se à massa popular. Não se trata, é preciso frisar, de tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito. Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência social humana.

A tolerância zero e sua base filosófica, a Teoria das Janelas Quebradas, colocou Nova York na lista das metrópoles mundiais mais seguras. Talvez elas possam, também, não apenas explicar o que acontece aqui no Brasil em matéria de corrupção, impunidade, amoralidade, criminalidade, vandalismo, etc., mas tornarem-se instrumento para a criação de uma sociedade melhor e mais segura para todos.

Fonte:

http://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/116409/Janelas-Quebradas-Uma-teoria-do-crime-que-merece-reflex%C3%A3o.htm

Ser ou Ter, qual a sua escolha?

 

Márcio Tunala

Um grande desafio para nossa sociedade hoje é restaurar valores da família que foram perdidos. A maioria dos lares apresenta dificuldades devido ao grande número de casamentos desfeitos, ou mesmo pelo estilo de vida que muitos pais e mães optaram.

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A realidade é que muitas crianças crescem sozinhas diante da televisão ou internet. O resultado disto é uma grande quantidade de pessoas adoecidas emocionalmente. Observar os efeitos nocivos do estilo de vida que as últimas gerações optaram, precisa gerar em nós uma conscientização de quanto precisamos repensar sobre nossas escolhas. Caso você tenha filhos, como tem sido seu relacionamento com eles? Caso você pretenda ter filhos, que tipo de criação pretende dar a eles?

O grande problema dos pais omissos não é a falta de consciência com relação às escolhas erradas, mas sim a falta de coragem de romper com o estilo de vida consumista e ambicioso. Para muitos, a família tem ocupado os últimos lugares na escala de importância – as primeiras posições tem sido ocupadas pela vaidade profissional, os títulos, o dinheiro e tudo que envolva a auto realização.

Augusto Cury declara uma frase muito interessante: “Prepare seu filho para ser, pois o mundo o preparará para ter. Atualmente criar filhos com princípios e valores que valorizam e protege a família é nadar contra a correnteza, mas não há dúvida que valha a pena. Todos os valores que ensinamos aos nossos filhos ninguém jamais poderá tirar deles. Todos os bens que eles venham a herdar, são passíveis de perda, mas os ensinamentos os acompanharão durante toda a vida.

Gosto de pensar que tudo o que ensino aos meus filhos eles jamais esquecerão. Eles têm a opção de não utilizar os valores e princípios recebidos, mas para isso terão que rejeitar conscientemente aquilo que receberam.

A Bíblia afirma em Provérbios 22:6 : “Eduque a criança no caminho em que deve andar e até o fim da vida não se desviará dele”. Não há dúvida que nenhuma instituição educacional, por mais competente que seja, será capaz de construir princípios e valores em um ser humano da maneira como uma família pode fazer. Nada tem tanta capacidade para abençoar como a família, e também não há nada que tenha tanta capacidade de destruir uma vida como a família.

 

Fonte : www.vida.net

Como surgiu o exame de Ordem.

Como surgiu o exame de Ordem

 

Antes facultativo, certame passou a ser obrigatório em 1994, pelo Estatuto da OAB.

Em março de 1968, o juiz de Direito Ennio Bastos de Barros, da 10ª vara Cível de SP, devolvia à seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil a petição subscrita por um profissional despreparado para o ofício da advocacia.

O advogado, que "se revelou de um primarismo palmar", entrava naquele momento para o rol de operadores do Direito de "ignóbil nível de conhecimento jurídico", com erros crassos de português e sem "o mínimo de formação cultural".

Com grifos que apontavam para "denumciados", "vestijos", "emediatos" e "posivel", o magistrado encaminhou a mensagem abaixo à direção da seccional:

"Como essa entidade, nos termos do art. 1º da Lei 4.215, de 27 de abril de 1963, é 'órgão de seleção disciplinar e de defesa da classe dos advogados', acredito seja de seu interesse apurar as razões da inépcia desse integrante de seus quadros."


(Clique na imagem para ver a íntegra do ofício)

Na época, o antigo Estatuto da Ordem (lei 4.215/63) dizia que era necessário aos que quisessem se inscrever no órgão de classe, além do diploma de bacharel, certificado de comprovação do exercício de estágio ou de habilitação no exame de Ordem. Ou seja, o famigerado exame era facultativo.

Para entender esse complexo quadro e avaliar a importância da prova é preciso remontar ao século XIX e compreender, de migalha em migalha, porque o exame é um "instrumento de defesa do interesse público". Com a palavra, dr. Cid Vieira de Souza, ex-bâtonnier da advocacia paulista.

"O Exame de Ordem não constitui um segundo vestibular, nem se compara, pela simplicidade das questões que versa, aos concursos de ingresso nas carreiras de especialização profissional, como vem sendo afirmado pelos que combatem a medida moralizadora. As matérias submetidas aos candidatos são simples (...) Trata-se de problemas rotineiros e singelos, perfeitamente ao alcance de um advogado principiante, desde que seu curso de bacharelado tenha sido regular e correto (...) É um sistema destinado a verificar se o candidato reúne as condições mínimas para o exercício de tão nobre profissão, sem o qual pessoas despreparadas intelectualmente estarão patrocinando mal questões relacionadas com o patrimônio, a honra, a liberdade e a própria vida dos clientes que as procurem."

(Exame de Ordem como instrumento de defesa 
do interesse público - OAB/SP, 1971)

Proliferação de cursos jurídicos

Os cursos jurídicos surgiram no Brasil Império, em 1827. Decreto de Dom Pedro I determinava que "crear-se-ão dous Cursos de sciencias jurídicas e sociais, um na cidade de S. Paulo, e outro na de Olinda", com duração de cinco anos – crucial para a consolidação da vida política e intelectual da nação.

Em São Paulo, já na década de 1970, o então presidente da OAB/SP, Cid Vieira de Souza demonstrava preocupação com os destinos da advocacia, diante da proliferação das Faculdades de Direito (em 1971, eram 34 Academias de Direito no Estado de SP). "Com a média de 500 vagas por Faculdade, haverá, anualmente, 17.000 novos bacharéis em Direito, muitos dos quais de equívoca formação cultural."


(O Estado de S. Paulo, 10 de dezembro de 1969 - clique aqui)


(O Estado de S. Paulo, 11 de agosto de 1968 - clique aqui)

A adequada formação e qualificação dos profissionais, entretanto, segundo Vieira de Souza, não estava acompanhando o ritmo de crescimento das Faculdades, de modo que frequentemente petições lastimáveis de advogados eram enviadas à Ordem.

"Petições subscritas por advogados regularmente inscritos na OAB constituem motivo de chacota por parte de juízes, promotores e serventuários da Justiça, de tal forma ridícula e grotesca são elas redigidas", informava o então presidente da OAB/SP.

Neste cenário, a seleção de profissionais por meio do estágio ou exame foi apontada como uma saída para a preservação das tradições éticas e culturais da advocacia.


(Acórdão pela reprovação de bacharel no exame de Ordem)

Lei 4.215/63

Em 1963, surgiu a lei 4.215, que representou o "coroamento da luta da classe em favor de uma regulamentação do ingresso nos quadros da Ordem, compatível com as exigências do atual quadro do ensino jurídico".

Art. 47. A Ordem dos Advogados do Brasil Compreende os seguintes quadros:
(...)
III - certificado de comprovação do exercício e resultado do estágio, ou de habilitação no Exame de Ordem (arts. 18, inciso VIII, letras "a" e "'b" e 53);

A lógica, então, era simples: não bastava, para o ingresso nos quadros da Ordem, a mera apresentação do diploma; as faculdades deveriam reaparelhar e melhorar seus currículos, para compatibilizá-los com a nova realidade. Caso contrário, naufragariam na falta de alunos, os quais optariam por dar preferência àquelas com altos índices de aprovação.

"Ao contrário do que possa parecer, a exigência do Estágio ou Exame de Ordem não constitui qualquer desprestígio para as Faculdades sérias, pois é necessário que se acabe de uma vez por todas com a falsa ideia de que as Faculdades de Direito formam advogados."

Para não acrescentar mais de dois anos ao currículo do candidato a advogado, adotou-se essa fórmula transacional ao sistema dominante nos Estados Unidos e na Europa, ainda mais rigoroso que o estabelecido no anteprojeto que deu origem à norma.

Primeiras aplicações

O Estado de São Paulo foi o primeiro a aplicar a prova, em 1971. O certame foi realizado em duas fases e reuniu poucos candidatos. Passaram a ser realizadas quatro edições por ano (março, julho, setembro e dezembro).

Os bacharéis em Direito formados até 1973 ficaram isentos de prestar o Exame, mas, em 1974, a prova passou a ser obrigatória em todo o Estado. Durante este ano, se inscreveram 211 bacharéis, sendo aprovados 154.

Depoimentos de advogados que fizeram a prova em 1974 (Fonte OAB/SP):

Fábio Ferreira de Oliveira – Conselheiro da OAB/SP e Ex-presidente da AASP

"Não me surpreende o alto grau de reprovação do Exame de Ordem atualmente. Considero que a prova era mais fácil do que hoje, porque a média entre as provas escrita e oral era de 5 pontos. Na escrita, fiz uma peça sobre revisional de alimentos, que para mim foi fácil porque eu já estagiava e tirei nota 9. Só precisava tirar 1 ponto na prova oral, mas também fui bem e fiquei com média final alta."

Cícero Harada – Procurador do Estado aposentado e Ex-conselheiro da OAB/SP

"Não tive dificuldades no Exame de Ordem porque meu pai, que era advogado, me dizia para eu ler. Então eu lia muito, importava livros e lia. Tanto que quando fui prestar concurso para procurador, passei sem estudar. Hoje, os estudantes reclamam, mas percebemos ( já fui professor) que, a cada ano, a base educacional dos alunos é pior. Quando chegam à faculdade, eles estão sem base e não conseguem acompanhar o programa da faculdade. Eles não sabem interpretar uma lei, por exemplo, porque o Direito parece fácil, mas não é. É preciso saber interpretar uma lei à luz da Constituição, das leis complementares e da situação fática."

José Luiz da Silva Leme Taliberti – Advogado

"Quando prestei o Exame de Ordem, a prova era mais voltada para o aspecto prático da advocacia. Hoje, deixa a desejar nesse aspecto, mas entra em questões mais profundas, testa o conhecimento e é preciso mesmo ser cada vez mais forte porque os estudantes estão cada vez mais despreparados. Não tive problemas para ser aprovado porque trabalhava desde o primeiro ano da faculdade. E depois, por muitos anos, apliquei a prova oral no Exame, mas acho que a prova é essencial."

Novas disposições

Em 1972, a lei foi modificada, dispensando do exame de Ordem e de comprovação de estágio os bacharéis que houvessem realizado "junto às respectivas faculdades, estágio de prática forense e organização judiciária".

Na década de 1980, a crise no ensino jurídico foi intensificada pelo significativo aumento na oferta de faculdades e de profissionais pouco qualificados para o exercício da advocacia. Em 1994, então, entra em vigor o Estatuto da Advocacia e a OAB (lei 8.906), que tornou definitivamente obrigatório o exame de Ordem.

Art. 8º Para inscrição como advogado é necessário:
(...)
IV - aprovação em Exame de Ordem;

A partir daí, para ingressar nos quadros da OAB seria necessário ao bacharel em Direito, entre outros quesitos, a aprovação na prova. Cada Estado, no caso, tinha autonomia para aplicar os exames.

Unificação das provas

Em 2007, um novo movimento começava a ser visto nas OABs com relação ao exame de Ordem. Neste ano, em abril, 17 seccionais realizaram pela primeira vez a prova com conteúdo unificado. Quatro meses depois, em agosto, este número subiu para vinte.

Posteriormente, as demais seccionais aderiram à forma de aplicar o certame, que alcançou seu cume no terceiro exame de 2009, quando todas as seccionais da OAB realizaram a prova unificada.

O Conselho Federal da OAB aprovou, em 20 de outubro de 2009, o provimento 136/09, que normatiza o exame de Ordem, unificando conteúdo e aplicação da prova em todo o país.

Imprescindibilidade

Em parecer, publicado pela Revista dos Tribunais, o advogado J. Nascimento Franco, então membro do conselho seccional de SP da OAB, tratou da questão ao analisar caso envolvendo inscrição de um candidato – o qual repetiu cinco vezes o primeiro ano – de "desconhecimento quase completo do idioma pátrio, requisito mínimo para o exercício da advocacia".

Incitado pelo caso, Franco consignou: "Prestando um serviço de extraordinária expressão social, o advogado não exerce uma profissão aberta a todo e qualquer indivíduo que possa, com o pedido de inscrição em seus quadros, exibir um atestado de bons antecedes criminais e um diploma passado por qualquer escola formalmente habilitada perante o Ministério da Educação."

"Para evitar (...) desmoralização total da advocacia, devem os Conselhos Seccionais agir decididamente, com base no art. 28, n. X, da Lei 4.215, de 1963, e indeferir a inscrição aos candidatos que, por palavras, atos ou escritos, se mostrem intelectualmente despreparados para o exercício da profissão (...). É o mínimo que a Ordem poderá e deverá fazer na realização dos seus fins, no aperfeiçoamento da Justiça, até que o legislador se convença da necessidade de se instituir o 'exame de ordem' já consagrado pelos povos mais cultos do mundo."

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Fonte: http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI225938,41046-Como+surgiu+o+exame+de+Ordem

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O que Nietzsche tem a nos dizer

 

O tempo não tem começo nem fim, é eterno e infinito, e portanto tudo já aconteceu e acontecerá de novo

Nietzsche foi um filósofo que pensou e escreveu coisas extraordinárias, muito duras. Fugia dos contatos, arrastava atrás de si um enorme baú com seus livros, roupas, pouca coisa mais. E procurava o ar frio, bom para a saúde frágil. Punha sua mesa de frente para o sol e saía, andarilho. Na volta anotava impressões e ideias, quando ficava satisfeito as organizava em aforismos, pequenos capítulos, poemas, e tinha um livro. Publicava-os e ninguém os lia, nem comentava. Sentiam medo do solitário violento.

Um dia, caminhando nas montanhas da Suíça, teve o que chamou sua “ideia mais pesada”: o tempo não tem começo nem fim, é eterno e infinito, e portanto tudo já aconteceu e acontecerá de novo. Na mesma ordem. Igual. Chamou a essa ideia o Eterno Retorno do Mesmo. Não escreveu o livro do Eterno Retorno. Deixou duas ou três pistas. Até hoje especulamos sobre elas. Com sofrimento. É pesado demais aceitar que o futuro é o mesmo que o passado. Eternamente igual.

Nietzsche naturalmente via outra coisa na sua ideia. Tinha escapado da maldição, que a filosofia foi adquirindo ao longo dos séculos, de fazer sistemas cheios de rigor lógico, mas longe da vida. Como Sócrates, que odiava do fundo das entranhas, sabia que a filosofia deve servir à vida — ou ficar quieta e não atrapalhar a potência de viver. Pensava que os valores, criados por Sócrates, do bom, do belo, do justo e do verdadeiro foram uma conspiração da filosofia, da moral e da religião para julgarem e condenarem a vida, sua força afirmadora e livre. No seu século XIX essa força teria chegado ao máximo da sua humilhação. Ao fundo do poço: o último homem, o homem que deseja morrer, a vontade de nada, o nada de vontade, assim o chamou. Desespero e desesperança.

Mas no dia do passeio na montanha teve essa ideia: no fundo do poço não se encontra a morte; se não é possível cair mais, essa é a hora de saltar para o recomeço. Tudo de novo. Com o que a vida teve de bom e o que sofreu de mau. Pois a vida verdadeira está além da oposição entre bem e mal. É maior do que isso. É pura afirmação da sua própria força.

No livro “Aurora” ele nos deixou uma pista sobre o Eterno Retorno. Se um demônio — por que não o da meia-noite, quando um dia termina e outro começa no mesmo fulgurante instante, e não há, ainda, ontem nem amanhã — se introduzisse no seu sonho e perguntasse: — Você quer tudo de novo, e na mesma ordem? — ele responderia: — Sim! E desse modo desejaria todo o passado. Pois fácil, pensou então, é desejar o futuro; querer de volta tudo o que foi, sem julgamentos nem seleções, é amar a vida além de bem e mal. É dizer um “Sim!” soberano à vida. Deixar de ser demasiado humano, como o camelo que carrega nas corcovas todos os pesos da submissão. Ir para o deserto, como o leão, urrar pela liberdade. E depois tornar-se a criança, que está na pura inocência do tempo. Sem medo. Assim ele pensou, e havia nesse pensar a esperança da vida forte de uma Humanidade transfigurada pela paixão dionisíaca, pela desmesura e pelo excesso, que ele opunha à força apolínea, toda feita de contenções e limites, mestra dos julgamentos. Dionísio era o deus grego da ebriedade. Apolo era o da luz. O Sol, que faz luz e sombra, põe uns na claridade, outros, empurra para as trevas. Nietzsche era dionisíaco. Pensava a vida como um transbordamento de força e criação. E queria protegê-la das condenações apolíneas, cheias de desdenhosa superioridade. Sua ideia, tão pesada e difícil, do Eterno Retorno era para isso que servia: ensinar aos homens a esperança. Os homens tinham medo. Evitavam ouvi-lo.

Um dia, em Turim, viu um cavalo ser violentamente espancado. Identificou naquele corpo poderoso e belo, assim supliciado, a própria força da vida humilhada até a baba e o sangue. Agarrou-se ao animal, defendeu-o e perdeu os sentidos. E a razão. Nunca a recuperou. Ensombreceu numa loucura mansa. Viveu quase 10 anos assim. E foi quando seus livros começaram a ser lidos. Ficou famoso. Não soube disso. Nem era a fama que lhe importava. Era a força da vida. Ele fora derrubado pelo chicote do torturador da vida, mas não renunciara à sua defesa. A loucura, como, tanto tempo antes, a morte para Sócrates, era um preço justo para não abrir mão do mais valioso.

Hoje, por aqui, parece que vemos um sol se pôr e lamentamos a escuridão. Porque a História acabou, dizem, e não há mais futuro e sonho. Enganam-se. Amanhã haverá sol, e os tenebrosos se espantarão. O tempo dos sonhos voltará. Nietzsche pode ter pensado coisas estranhas, mas nessa teve razão: o tempo não acaba para aqueles que amam a vida acima de ponderações e conveniências. E estão dispostos a alucinar, encher-se de luz por ela.

Esse pode ser hoje um bom nome para a esperança. Que retorna sempre. Mais forte ainda quando o mundo escureceu.

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